terça-feira, 10 de julho de 2007

O Caso Dodô.

Quando surgiu a notícia que o atacante botafoguense Dodô tinha sido pego no exame anti-doping realmente eu fiquei surpreso. Durante toda a sua carreira Dodô demonstrou ser um jogador sereno, tranquilo, de boa índole, daqueles que não se espera uma atitude que venha a comprometer sua carreira dessa maneira. Ainda mais nesse momento, onde o jogador conseguiu se firmar em um clube que vem se reerguendo após a queda para a segunda divisão. No Botafogo Dodô é ídolo, artilheiro e, sem dúvida, o jogador mais importante dos alvinegros. Diantes disso não poderia se esperar uma atitude destas.

Aí surgem os esclarecimentos.

Dodô foi pego utilizando a substância proibida fenproporex que é inibidora de apetite e , para alguns especialistas, tem como seus efeitos "fadiga e depressão". Diante disto podemos parar para pensar realmente qual é o objetivo desta legislação anti-doping brasileira. Será que realmente o jogador se beneficiou com o uso desse inibidor. Esta substância alterou o desempenho de Dodô, que vinha com uma excelente temporada, mantendo uma média de boas atuações durante todo o ano.

No programa Linha de Passe da ESPN escutei um excelente depoimento de Juca Kfouri que, após consultar um outro especialista (não me recordo o nome), teve o depoimento que, atualmente, com o avançar da tecnologia médica, o exame de urina (detector dessas substâncias) pode ser feito e seu resultado obtido com o tepmo de três horas.

Com isso, diz o mesmo, a solução para tais problemas seria a prevenção no exame anti-doping, e não a repressão, como nos moldes atuais. Isso faria com que se poupassem os jogadores, os times, os próprios médicos e não seria colocada em dúvida qual a punição certa para tais casos.
Punir o time? Punir o jogador? Qual tempo de punição?

Com uma política de prevenção, todas essas dúvidas seriam sanadas. Se retiraria o jogador da partida e, em análise posterior, o jogador seria submetido a futuros exames, até que se provasse a retirada da substância do corpo do jogador.

Para mim parece uma solução plausível, sem problemas para ninguém.

Faço agora uma breve análise do caso em si de Dodô. O resultado da contraprova também foi positivo, o que não deixa dúvida quanto à utilização da substância. Não há dúvida (pelo menos para mim) que o jogador a utilizou sem a menor má-fé. A substância não alterou seu desempenho dentro de campo. Outro fator importante é que, durante o campeonato carioca, o mesmo jogador foi submetido a mais 3 exames. Outros dois, anteriores ao que detectou o doping, deram resultado negativo. O último, posterior, ainda não teve seu resultado disponibilizado pelos médicos. Isso mais uma vez prova que o jogador não vinha "se dopando".

Com muito pesar vejo que o jogador, em grande fase, será punido por algo que, por conta de legislação antiga, retrógrada e, para utilizar expressão que também já vi, anacrônica, o que nos demonstra mais uma face de um esporte tão querido no Brasil, que se encontra tão desrespeitado, desorganizado e sem nenhum comando com seriedade.

Espero que isso não afete o futuro do jogador. Que ele consiga se recuperar desse baque inesperado e, quando voltar, dê a volta por cima e repita as excelentes atuações.

Força Dodô!!

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